22/04/2010
A hora de esperar
No livro do Eclesiastes, contido na Bíblia, está escrito em seu capítulo terceiro que há um tempo certo para todas as coisas. Esta colocação é muito mais sábia e profunda do que possamos perceber inicialmente. Na agitação do mundo moderno, em que se considera “chique” não ter espaço na agenda ou viver na correria e na ansiedade, recordar-se dessa verdade difundida por esse livro da Bíblia é essencial. É certo que não conseguiremos obter tudo que desejamos da vida, pois muitas coisas sairão de nosso controle, mas aqui a questão é: você está preparado para lidar com isso? Está pronto para compreender os momentos de esperar a hora certa, quando os seus desejos não puderem se realizar?
Bem, pelo que percebo, a maioria das pessoas não está pronta. A crença que tudo tem que acontecer do jeito que queremos, senão não serve, faz muito mais mal ao nosso equilíbrio do que pensamos. Da mesma forma que temos um momento de planejar e agir para obtermos o que desejamos, é igualmente verdade que há instantes que precisamos aprender a esperar, mas não devemos fazê-lo com revolta ou ansiedade. Precisamos aprender a esperar com tranqüilidade, compreendendo que nem sempre o tempo de nossas expectativas corresponde ao tempo que a vida tem para todos nós. Colocações simples, mas que encontram ampla resistência no nosso cotidiano.
Que tal se você parasse um pouco e pensasse por quais situações lhe cabe lutar e quais situações lhe cabe esperar ou mesmo abrir mão? Ficar prisioneiro das expectativas é parar no tempo, refrear o fluxo natural da vida. É negar a si mesmo a paz que tanto almejamos experimentar. Lembre-se que há uma hora para tudo, inclusive para descansar, para esperar. Para exemplificar, nesse exato momento em que escrevo esse artigo, estou “preso” no aeroporto de Congonhas, em São Paulo, por causa de uma forte neblina. Bem, não há nada o que fazer a não ser esperar que o tempo enfraqueça a neblina, para que a partir daí, os vôos possam voltar a seus horários normais. Resolverá alguma coisa ficar com raiva? Adiantará reclamar? A neblina vai se dissipar por causa do mal humor dos passageiros? Claro que não. Assim também ocorre em muitos instantes de nossa vida. Que tal pensar sobre esse assunto, hoje?
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